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    Pesquisa da UFRN aponta riscos com a queima artesanal da castanha de caju

     

    O Pesquisador do Programa de Pós-graduação em Bioquímica do Centro de Biociências da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Marcos Felipe Galvão desenvolveu uma pesquisa com o objetivo de apontar os riscos com a queima artesanal da castanha de caju no semiárido potiguar.

    De acordo com o pesquisador, o Brasil configura-se entre os maiores produtores de castanha de caju do mundo. Contudo a queima da castanha ainda é realizada de forma artesanal, sobretudo no semiárido brasileiro.

    A região semiárida do Brasil é caracterizada por uma estação chuvosa curta anual e longos períodos de forte seca. Nesse contexto, o beneficiamento artesanal da castanha de caju é uma alternativa socialmente e financeiramente viável, pois além de poder ser desenvolvida por todos os membros de uma família, é um produto facilmente comercializável.

    No entanto, a falta de assistência aos trabalhadores, a informalidade da atividade e a falta de conhecimento por parte da sociedade em geral a respeito das condições nas quais ocorre a queima da castanha de caju, dificultam o controle dos potenciais efeitos nocivos associados a este tipo de atividade.

    Diante disto, o objetivo do estudo foi realizar uma caracterização físico-química do material particulado (MP) emitido pela queima artesanal da castanha de caju, assim como determinar o risco ocupacional e mecanismos moleculares associados.

    Métodos

    Foram utilizados dois métodos de medição do material particulado (MP), um baseado nas propriedades óticas das partículas, enquanto que o segundo nas análises gravimétricas. Em seguida, as partículas foram caracterizadas fisico-quimicamente por microscopia eletrônica de varredura (MEV) acoplada a espectroscopia de raio X por energia dispersiva (EDS), além de um complexo sistema de cromatografia líquida de alta eficiência acoplado a um cromatógrafo gasoso conjugado com um espectrômetro de massa.

    O monitoramento da população exposta foi avaliado pela quantificação de biomarcadores de exposição na urina e de efeitos genotóxicos e citotóxicos nas células da mucosa oral dos trabalhadores.

    Os mecanismos moleculares foram avaliados em cultura de células do pulmão humano, utilizando técnicas de biologia molecular, tais como a avaliação da fosforilação de proteínas por western blot e a expressão gênica.

    Os experimentos foram conduzidos pelo doutorando Marcos Felipe envolvendo diversos laboratórios da UFRN, tais como o Laboratório de Biologia Molecular e Genômica (LBMG), Laboratório de Mutagênese Ambiental (LAMA), Laboratório de Microscopia Eletrônica de Varredura e o Grupo de Pesquisa de Modelagem e Observação de Química da Atmosfera (GP-MOQA), bem como as parcerias nacionais com o Laboratório de Estudos em Química Atmosférica do IQ-USP e Laboratório de Toxicologia da UFBA.

    Além disso, foram conduzidos experimentos nas instituições envolvidas durante o doutorado sanduíche, a Universidade de Estocolmo e o Karolinksa Institutet, Suécia.

    Problemas para a população

    As altas concentrações do material particulado e os seus efeitos biológicos associados alertam para os graves efeitos nocivos da queima artesanal da castanha de caju e medidas urgentes, tais como a organização dos trabalhadores em associações e cooperativas, a viabilização de projetos de mini-fábricas com sistemas de exaustão coletiva que eliminam os poluentes atmosféricos, o uso de equipamentos de proteção individual, como luvas e máscara, bem como a melhoria no sistema de saúde da comunidade devem ser tomadas para o desenvolvimento sustentável da atividade.



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    Item Reviewed: Pesquisa da UFRN aponta riscos com a queima artesanal da castanha de caju Rating: 5 Reviewed By: Gidel de Morais

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